Este artigo foi publicado no site Zero Hora, de Porto Alegre e tem algumas dicas interessantes para quem anda ruminando a idéia de abrir uma editora. Meu conhecimento do mercado diz que o mais difícil não é abrir uma editora, mas sim mantê-la aberta. Um número significante de editoras são mantidas quase como um passa tempo pelos seus donos, que no geral não tem nenhum conhecimento técnico da área de livros. Então se eu puder dar um único conselho antes de você começar a ler o artigo, este seria: Saiba bem o que você está fazendo. Estude ou contrate alguém que tenha estudado para fazer este trabalho. Publicar não é apenas escolher o título. Dito isso, ai vão as dicas.
Manual de sobrevivência da pequena editora
O que faz uma editora pequena sobreviver em um mercado de gigantes? Não falta em Porto Alegre quem tente responder essa pergunta na prática. Com autores novos pipocando e a tecnologia mais acessível, parece mais fácil abrir uma editora. O desafio é outro.
– Começar é fácil, continuar é que é difícil – avalia Sônia Jardim, presidente do Sindicato Nacional de Editores.
O problema é que não basta lançar livros bons, mas negociar com distribuidores, divulgar o lançamento, controlar estoque, fazer contabilidade etc. E tudo isso sem retorno a curto prazo.
– A gente gostava de criar o livro, mas tinha de fazer todas aquelas coisas chatas e sem ganhar dinheiro – conta o escritor Daniel Pellizzari, que era sócio de Daniel Galera na Livros do Mal, que não resistiu e acabou saindo de cena.
Mas uma turma numerosa segue no mercado. Há um ano, seis escritores fundaram a Não Editora buscando abrir espaço para novos ficcionistas. Receberam dicas de Tito Montenegro, da Arquipélago, fundada em 2006. Tito, por sua vez, contara com a experiência de Alexandre Ramos, que há oito anos criou a Zouk em São Paulo e, junto com a mulher, Natalie Nogueira, a trouxe para a capital gaúcha em 2005. Hoje, a Zouk tem sede, três funcionários, lança 15 títulos ao ano. E dá lucro.
PATRÍCIA ROCHA
Editar livros é só o começo. Também é preciso fazer com que eles cheguem ao leitor. Confira as lições que os donos de pequenas editoras aprenderam na prática:
- Buscar um nicho de mercado pode ser uma saída frente à competição com selos maiores, que publicam em larga escala, diluindo os custos. Ao lançar livros com o mesmo perfil editorial, a venda de um puxará a de outro, diz Tito Montenegro, que edita exclusivamente títulos de não-ficção pela Arquipélago.
No começo, a estrutura da editora deve ser enxuta. A Não Editora, por exemplo, dividiu tarefas entre os seis sócios. Como ainda não têm sede, eles resolvem as questões por e-mails e reúnem-se em bares e também em pizzarias. Já a equipe da editora Fábrica de Leitura, criada há um ano, resume-se à dona, Ângela Puccinelli e uma secretária, com reforço de prestadores de serviços. Mas Ângela já anuncia uma contratação para janeiro.
É preciso saber onde poupar para não comprometer a qualidade do livro. Luciana Thomé e Rodrigo Rosp, sócios da Não Editora, destacam que não vale a pena economizar papel, espremendo as letras na página, nem descuidar do projeto gráfico ou de uma revisão criteriosa do texto. Sob pena de desagradar leitores, críticos, livreiros e distribuidores – em vez de conquistá-los.
O melhor livro já feito poderá encalhar no depósito da editora se não tiver divulgação. Apresentar um site interessante, manter um mailing atualizado e dispor de uma assessoria de imprensa são medidas obrigatórias por menor que seja a editora.
- Montar uma editora pressupõe também lidar com contabilidade, controle de estoque, fornecedores, funcionários etc. Clô Barcellos, uma das sócias da Libretos, lembra, por exemplo, de quando foram surpreendidos por um mesmo pedido das livrarias: disponibilizar o catálogo em tabelas do programa Excel. Mais um detalhe administrativo para aprender na prática.
– Editora pequena que funciona tem que se profissionalizar – conclui Clô, que sente falta de cursos para editores.
- Para ter uma boa distribuição é preciso apresentar o catálogo em outras cidades e Estados e negociar com grandes redes de livrarias, sem descuidar das lojas de bairro. Mas há lições que se aprende na prática: Alexandre Ramos, da Zouk, percebeu que não adiantava colocar seus livros (focados em arte, antropologia e filosofia) em qualquer livraria. Dava mais resultado buscar lojas com o mesmo perfil.
Ter no catálogo um livro premiado ou um autor de renome é um bom cartão de visitas. O livro de estréia da Arquipélago, A Vida que Ninguém Vê, de Eliane Brum, venceu o Jabuti na categoria melhor livro de reportagem, o que abriu muitas portas, como conta Tito Montenegro:
– Eu já chegava nas livrarias com pelo menos um bom argumento.
- Nas pequenas editoras, o autor geralmente acompanha mais de perto o processo de edição, e essa parceria rende bons frutos. Clô Barcellos conta como o cuidado com o projeto gráfico de cada original atraiu novos escritores interessados em publicar pela Libretos.
- Há editoras que bancam os livros publicados e as que dividem os custos com os autores. A Fábrica de Leitura está no primeiro time: os escritores não investem na edição e recebem direito autoral. Mas a editora Ângela Puccinelli destaca a importância de explicar a eles as dificuldades do mercado, para não frustrar expectativas.
Não há uma definição exata para o que seja uma editora pequena. Mas há um consenso informal de que um dos critérios possíveis é avaliar a média anual de lançamentos: seriam consideradas pequenas as editoras que lançam no máximo um livro por mês. Para comparar, a L&PM lançou neste ano uma média de 10 livros por mês.
Assim, partindo de indicações baseadas nas listas de associados do Clube de Leitura e da Câmara Rio-grandense do Livro, estima-se que há pelo menos 18 pequenas editoras em atividade em Porto Alegre.
retirado de Zero Hora.
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Matéria bem interessante, DG… bem de utilidade pública… quem sabe um aluno de Produção Editorial do segundo ano da UAM não caipor aqui…
Valeu Marco! Realmente esse artigo foi um achado!