Preço unico do livro, quem ganha e quem perde?

Luciano Trigo, da Máquina de Escrever, blog de literatura, cinema e artes plásticas, publicou um artigo interessante sobre a formação de leitores no Brasil. A discussão começa com uma frase de Monteiro Lobato: “Um país se faz com homens e livros.” e se questiona “Mas que tipo de país se faz com homens que só lêem best-sellers?”

Citando Ruy de Castro, em sua coluna da Folhad e São Paulo, ele diz:

“Os mega-sellers”, escreve Ruy, “são sempre estrangeiros, e não necessariamente americanos: podem vir da Irlanda, da Austrália ou do Afeganistão, embora só cheguem aqui depois de iniciada sua carreira nos EUA. A partir daí, onde quer que se façam listas de livros mais vendidos, eles estarão nelas, o que torna essas listas monótonas e iguais no mundo inteiro. (…) Como os mega-sellers são maciçamente estrangeiros, teme-se que as editoras brasileiras desistam de apostar no humilde romance nacional – afinal, para que se arriscar a ter 3.000 livros encalhados quando se pode vender 600 mil?”

O artigo continua, agora em defesa da publicação dos tais Mega-Sellers, mas a favor de uma “intervenção do Estado” (aspas minhas) para salva-guardar a diversidade dos livros. A discussão é interessante, mas passa bem longe de uma conclusão.

Mais importante do que isso, é a notícia sobre a Lei do Preço Único do livro, a ser votada na Câmara dos Deputados. A lei, muito mal vista no Brasil, já funciona na França, onde se encontra uma livraria a cada esquina. estipula preços fixos para os livros e descontos de até 5% nos valores de capa. Não sei até onde uma lei como essa viria a impedir o surgimento dos mega-sellers, ou a incentivar a produção cultural nacional, mas sei que ela daria um respiro saudável as livrarias independentes, antes que elas sejam completamente engolidas pelas mega stores da vida, ou pela internet. Talvez dando as livrarias independentes chance de abrir sem ter que competir em preço com grandes redes, seja possível incentivar a nossa vergonhosa rede de distribuição de livros, mas me parece um tiro no escuro. Talvez, no fim, tudo o que consigamos seja uma tabela de livros cara demais, sem a possibilidade de procurar por descontos, neste caso quem irá perder será o leitor.

Leia o Artigo na máquina de escrever.

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This entry was posted on Wednesday, March 18th, 2009 at 4:56 pm and is filed under Artigos. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

One Response to “Preço unico do livro, quem ganha e quem perde?”

  1. diggs | graphic design +55 (11) 9276.9277 Says:

    [...] interessante sobre a questão do preço dos livros, que complementa bem o que eu escrevi sobre  a Lei do Preço Único do Livro. Rafael Rodrigues critica a oposição ao livro promocional com uma argumentação interessante, [...]

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