O livro do futuro na previsão das editoras

A Abrelivros, Associação Brasileira de Editores de Livros, publicou um artigo sobre como as editoras brasileiras estão tentando antecipar o livro do futuro. Encontrei nos parágrafos deste texto alguns ecos do que eu venho dizendo já a muitos anos sobre como acho que será o futuro do livro, o mais interessante, para mim, foi ver como as editoras estão se mobilizando para tornar esse futuro palpável.

A última revolução na industria cultural surgiu com o Napster, em 1999 e sua rede de compartilhamento de arquivos que tornou simples a troca de músicas entre usuários que nem precisavam se conhecer. Nascia o download de música ilegal, que foi o terror da indústria fonográfica nos últimos 10 anos. A indústria da música lutou contra isso como pode, chegando a ganhar algumas batalhas, como um grande processo contra o Napster que foi obrigado a mudar sua forma de trabalho para oferecer conteúdo pago, mas já era tarde demais, as pessoas gostaram da idéia de ter conteúdo gratuito e aqui e ali surgiram substitutos, que substituíram o Napster e multiplicaram os problemas da indústria da música.

Hoje, dez anos depois, as gravadoras parecem estar começando uma longa caminhada em busca de um equilíbrio entre distribuição gratuita de música e o modelo tradicional que lhe permita continuar fazendo receita.

A indústria fonográfica sofreu um encolhimento de 20% e tornou a palavra download um arrepio frio na espinha de outras indústrias culturais, entre elas a de livros. Quando o Google Books iniciou sua hercúlea tarefa de digitalizar o acervo mundial, já se falava em apocalipse, em protestos e em queima de computadores em grandes fogueiras nas grandes cidades. A resistência dos editores ao novo começava a levá-los exatamente para o mesmo lugar para onde foram as gravadores, anos antes.

La Resistence, criou um lapso de poder. Havia um mercado totalmente inexplorado ali que ninguém se atrevia a desafiar. Entusiastas do livro digital criaram sites com obras em domínio público, autores arriscaram distribuir livros gratuitamente na rede, logo um subversivo resolveu scannear um livro inteiro, para um amigo do outro lado do mundo e em um instante a pirataria do livro já estava na rede, suprindo necessidades que as editoras não haviam entendido antes. Autores jamais traduzidos no país, obras raras e esgotadas, capítulos da prova da semana que vem e manuais de como se cultivar bonsais. Estava tudo ali, a um click de distância, pronto pra ser lido e descartado em seguida, sem ocupar espaço na estante.

A Abrelivros me mostrou, porém, que algumas editoras nacionais haviam ignorado a resistência e começado seu próprio caminho pela via digital, rumo a um modelo de negócio que podia ser visto como aliado, não como inimigo. Não existe uma resposta ainda, mas já foram colhidas algumas experiências. A primeira delas têm a ver com o pretenso vilão da história, o Google Books, que apavorou as editoras nacionais quando se mudou para o Brasil. O projeto Google Books, se alguém tivesse prestado atenção, não pregava a distribuição dos livros digitalizados, mas sim sua divulgação. É o editor responsável pelas obras quem definia quanto do conteúdo seria disponibilizado para o público. O Google Books não era mais do que uma grande vitrine virtual, com direito a degustação de algumas páginas, para a decisão de compra. E mais, ele também dava a chance do editor divulgar um canal de compra. A Livraria Cultura entendeu o potêncial do projeto e em uma parceria inédita com o Google, colocou todo seu catálogo na rede. Se você entrar no site da Livraria, encontrará links que te permitirá folhear algumas páginas do livro no Google Books.

Outras editoras foram mais arrsicadas, como a Nova Fronteira, que chegou d siponibilizar o download gratuito (sim, gratuito) da obra “Miséria e grandeza do amor de Benedita” do escritor João Ubaldo Ribeiro antes do lançamento do livro físico. Foram feitos 12,5 mil downloads da obra. Mesmo assim, foram vendidos 30 mil exemplares do livro, ao longo do tempo.

Outros projetos surgiram, editoras que se arriscaram inteiramente no mundo virtual, apresentando um novo modelo de negócio relacionado a publicidade online e web 2.0. Ou ainda a Plugme, da Ediouro, que começou a comercialização de audio-livros até então quase inexistentes no Brasil.

São esforços, até então, pontuais, de empresas que deixaram de lado a resistência às mudanças com grande empreendorismo na tentativa de fazer o novo. A maior parte delas entendeu o que as outras se recusam a ver: O livro digital não vai acabar com o livro físico. Mas um pode ser um excelente complemento ao outro, se trabalhados da forma correta.

leia mais: Editoras brasileiras tentam antecipar o livro do futuro – Abrelivros.

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This entry was posted on Thursday, February 26th, 2009 at 10:00 am and is filed under Artigos. You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0 feed. You can leave a response, or trackback from your own site.

One Response to “O livro do futuro na previsão das editoras”

  1. Livro eletrônico: fracasso ou sucesso? | diggs | design gráfico Says:

    [...] aqueles que leram o artigo sobre “O Futuro do livro segundo as editoras“, e ficou desejando mais. Ai vai o Ciso Blog, que publicou um excelente trabalho sobre [...]

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